segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luz


Luz...
Que vem de dentro pra fora
Criando formas e cores
Iluminando o agora
Luz de mim
Luz de ti
Reflexo de nós
Nunca mais sós
Luz divina
Esperança de Deus
Bendita seja sua sina
Nos caminhos seus
Luz
Dos olhos meus
Do riso teu
Dos seus traços
Dos nossos laços
Luz...


Anna Jailma

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vida em preto e branco


Vida nua e Crua
Preto no branco
Sim ou não
Pau ou pedra
Assim ou assado
Vida nua e crua
Despida
Como a lua
De mil faces
E facetas
De mil fases
E venetas
Mas sempre nua
E crua
[Vida em preto e branco - Anna Jailma]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Esperança


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem...
Atira-se!
E— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

[Esperança - de Mario Quintana]

Anna Jailma
Foto: Luís Louro

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Laço


Dois corações
Olhares e planos
Risos santos
Sussurros profanos
E vem um sono profundo
Os corpos em morte
Á própria sorte
Desligando-se do mundo
Amantes descalços
Voltam a esfera
Mansos insanos
É primavera!


Anna Jailma

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Vida boa, sapo caiu na lagoa...




Eu não conseguia enxergar a beleza dos sapos. Nunca tive medo deles e até consigo me livrar deles com paciência e sem gritos - com uma delicada vassoura ou se for pequeno, meto a mão num plástico, pego o bichinho e ponho pra passear em algum jardim perto - mas beleza, magia, encanto, isso eu nunca tinha enxergado nos sapos, nem por fotografias, por filmes, desenhos animados, bichinhos de pelúcia, e muito menos nos que passeiam pelas calçadas em noites de frio...
Mas hoje minha visão foi aguçada, viveu um momento de evolução da retina ou algo do gênero e me encantei com o sapo. Vi beleza nos sapos. E a surpresa - ou milagre - aconteceu através das lentes fotográficas de Luís Louro, um fotógrafo de Portugal, em ensaio fotográfico divulgado no site Oca das Letras. Adorei enxergar o sapo diferente, por um outro ângulo, e acho até que estes - das fotos - foram príncipes um dia.

Anna Jailma
Fotos: Luís Louro

A Grécia é ali!





Sempre quis conhecer a Grécia, e não sabia que ela estava tão perto...Há menos de uma hora de viagem, em Gargalheiras de Acari, no meu Seridó, no Rio Grande do Norte.
E eu me senti uma deusa, no meio de tanta beleza e encantamento.

Anna Jailma.

Visão de Gato!



Enxergar longe, saltar no lugar exato, alcançar o alvo, observar sem ser observado, fantasiar o mundo, brincar com tudo...Taí um "tico" das façanhas do gato...Adoro!


Anna Jailma
Foto: Blog Meu Bixano

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Para viajar no tempo: Lamento de Israel - Sergio Lopes

Esta é uma das músicas mais belas que já ouvi. Tem uma melodia mágica, que toca na alma e a letra atinge cada um de nós, que de alguma forma, em algum lugar, já viveu um "lamento de Israel".
A primeira vez que ouvi esta música, foi em Campina Grande, PB, na época que eu cursava Jornalismo, pouco depois da partida de meu pai.

Anna Jailma.

Espelho meu, quem sou eu?




Sou muito mais terra firme, árida do sertão, do que o alto-mar, num cruzeiro de navio.
Sou muito mais a segurança do balanço na rede, que a viagem de avião nas alturas.
Sou barco de velas içadas e tenho aversão a loucas marés.
Gosto dos pés no chão, de enxergar montanhas contemplando da terra, de mergulhar em águas calmas, de perder o folêgo com beijo e não com medo.
Aventuras, prefiro as literárias. Gargalhadas, as de alegria e não de sarcasmo.
O mar, em calmaria. O sol, brando.
Sou mais brisa que ventania. Sou mais peixe que carne.
E antes que você pense que sou um anjo de candura, vou logo avisando que posso ser borboleta ou onça, dependendo de como sou observada.
Meu signo é leão, tenho lua em Peixes, mas meu ascendente é capricórnio.
Eis o enigma da esfinge.
Anna Jailma

Sem venetas...


Ando sem venetas, deixando o tempo correr, com ocupações tomando conta, sufocando as emoções... Nós seres humanos temos esta tendência a se apegar as obrigações diárias.
E Jorge Luís Borges ainda vem me dizer que se pudesse viver novamente andaria descalço na primavera...



Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria...

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um para-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono...Daria mais voltas na minha rua.

Contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.


[Jorge Luiz Borges - argentino]
Anna Jailma

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Aos namorados


Pela luz dos olhos teus - de Vinicius de Moraes


Quando a luz dos olhos meus

E a luz dos olhos teus

Resolvem se encontrar

Ai que bom que isso é meu Deus

Que frio que me dá o encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus

Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar

Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus

Que a luz dos olhos meus já não pode esperar

Quero a luz dos olhos meus

Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará

Pela luz dos olhos teus

Eu acho meu amor que só se pode achar

Que a luz dos olhos meus precisa se casar...
Anna Jailma

Leilão em Poesia


Leilão de Jardim


Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
Lavadeiras e passarinhos,
Ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raiode sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
Uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
Este é meu leilão!

Cecília Meireles


Junho é tempo de leilão e em poesia tudo fica mais bonito...
Anna Jailma


Foto: autor desconhecido